O Tempo – uma análise filosófica e teológica

Numerarei este artigo – que ainda está em aperfeiçoamento de edição – em parágrafos de ideias para facilitar a referência posterior.

1) Eu entendo que o TEMPO é um conceito filosófico que existe na mente humana.

2) Esse conceito surge porque a mente é capaz de identificar, processar e interpretar (resumirei estes três verbos com o verbo ‘perceber’) uma quantidade limitada de modificação dos corpos/entidades no espaço ao seu redor. Em outras palavras, a mente humana consegue perceber de forma contínua a transição entre o antes e o depois de algumas modificações que ocorrem no espaço.

3) A limitação de quantidade de informações que pode perceber faz com que a mente humana tenha a sensação do movimento dos corpos no espaço. Por movimento, entenda-se qualquer qualquer alteração ou modificação em qualquer corpo no espaço.

4) A analogia mais clara disso é a técnica usada para criar filmes e desenhos animados. A sensação de movimento de um vídeo ocorre graças à nossa limitação de não perceber toda a informação. O chamado FPS (quadros por segundo) de um filme é o que claramente mostra nossa limitação de processamento. FPS elevado nos traz a clara percepção de movimento. FPS reduzido nos mostra transição de quadros estáticos. FPS baixíssimo nos dá tédio ao ver uma imagem estática. Sobre o “segundo” do FPS (quadros por segundo), ele é uma unidade de medição de tempo, que tratarei mais à frente.

5) Prosseguindo nessa analogia do FPS, se houver um SER (humano ou não) capaz de perceber mais informações que o ser humano comum, esse SER perceberia o mundo em câmera lenta. Esse SER não seria capaz de ver um filme ou um desenho animado em movimento, mas uma sucessão de quadros estáticos.

6) Se o raciocínio está claro até aqui, é possível compreender que, SE este SER tiver uma capacidade ilimitada e infinita de perceber informações, o universo seria totalmente (ou quase) estático para ele, isto é, ausência total de movimento. Ora, essa percepção infinita possibilitaria o estado da ausência de movimento, ausência de antes e depois, ausência do que chamamos de TEMPO.

7) A situação proposta mostraria um quadro estático, sem movimento, sem alteração, sem antes e depois. É como se olhássemos para uma fotografia, para uma pintura num quadro. Esse instante imutável é o que eu entendo como o Estado da Eternidade, é a condição que o Deus revelado nas Escrituras está. Como testemunham as Escrituras, “um dia para Deus são como mil anos, e mil anos são como um dia”. Ora, uma afirmação dessa parece contraditória, mas conforme a reflexão que expus, esse conceito bíblico revela um SER muito mais espetacular do que as divindades que as cabeças humanas já inventaram por aí. Revela um SER que possui a capacidade de percebir um dia como se ele fosse mil anos, do mesmo modo que poderia perceber mil anos como um dia. Esse SER poderia alterar sua capacidade de perceber as alterações no meio, de modo que não haveria TEMPO definido para ele.

8) Voltemos a 2). Uma vez que a mente percebe o movimento e a modificação no meio, ela também consegue perceber diferentes TAXAS ou proporções de modificação (que inclui o deslocamento espacial). A essa taxa ou proporção chamarei velocidade.

9) Uma vez identificadas diferentes velocidades, surgiu-se a necessidade de medi-las.

10) Outra percepção clara para o ser humano é a existência de eventos repetitivos (ou cíclicos). Os eventos cíclicos mais fáceis de perceber foram:
– a transição do manhã, tarde e noite até uma nova manhã, o que determinou o conceito de DIA;
– as transições de 4 estados da lua (cheia, minguante, nova e crescente) – as quais afetavam diretamente o nível do mar, a iluminação noturna, entre outros, a partir das quais surgiu o conceito de MÊS.
– as transições de 4 estações (primavera, verão, outono e inverno), as quais determinavam modificações em todo o ambiente, a partir das quais surgiu o conceito de ANO.
– Com os conceitos em ordem, foi possível contar quantos dias havia no mês, quantos meses havia no ano.
– Dentro de um dia foi possível separar ciclos em que a luz solar estava mais fraco ou mais intensa, daí surgiram as HORAS.
– Com o passar dos ANOS, foi possível desenvolver instrumentos que medissem com precisão os próprios ANOS, MESES, DIAS e HORAS, a ponto de que frações de intervalos de uma HORA pudessem ser também mensuráveis.

11) A partir de 10), foi possível medir as velocidades, como dito em 9).

12) Na prática, aquilo que conhecemos por tempo é na verdade a medição das transformações no espaço, conforme 8) e 9), por meio da associação com os ciclos naturais (e suas respectivas frações)

13) Concluo, nessa reflexão sistemática, que tempo é uma abstração da mente humana. Ele não existe por si só. O que existem são as transformações no espaço e meio, que podem ser percebidas a diferentes taxas, dependendo do observador. Concluo também que existem as entidades, existe o espaço, existem as transformações e existem taxas diferentes para cada observador. Em outras palavras, há matéria, espaço e velocidade. O tempo é uma abstração que depende unicamente das limitações sensoriais de percepção do observador.

14) Isso explica, de modo alternativo, porque na inconsciência de uma noite de sono, de um desmaio ou de um coma, a pessoa não percebe a passagem das horas e dos dias, não faz ideia de quando está. Igualmente quando alguém está com muita sonolência; em algumas piscadas de olho, vários segundos ou minutos se passam.

Em 13), é possível ver o mundo e suas entidades circunscritos em termos de espaço e velocidade. Esta é uma proporção ou taxa de transformação das entidades no espaço.

Já o tempo é uma abstração que surge sobre as diferentes taxas de transformação, ou sobre o intervalo em que ocorrem as transformações, ou sobre o antes e o depois das transformações. Os conceitos de passado e de futuro podem ser entendidos respectivamente como o estado anterior de um objeto antes de passar por uma transformação, e a expectativa do estado posterior às modificações a serem feitas pelas transformações ou agentes transformadores.

Sabemos, por exemplo, que nosso corpo está em constante transformação. Percebemos essa transformação. A expectativa é a de envelhecimento. Esse é um exemplo de futuro: envelhecimento ou morte.

Finalmente, a partir de 10) também é possível avaliar que é [b]impossível[/b] medir o tempo senão por qualquer comparação de eventos cíclicos. Desse modo, até Deus, anjos, seres extraterrestres ou espirituais, precisam de eventos cíclicos se quiserem quantificar aquilo que chamamos de TEMPO.

Um modo alternativo de ver os eventos SEM o TEMPO seria parametrizar as transformações no mundo por uma taxa de transformação padrão, como a velocidade da luz. Isso já foi feito em outras unidades do SI (Sistema Internacional de unidades) da Física. A medida de carga elétrica (o Coulomb) foi substituído pelo A.s (Ampère segundo). São equivalências matemáticas. Desse modo é possível construir um sistema de medição de eventos por meio de taxas de transformação baseados exclusivamente numa velocidade padrão imutável, como a velocidade da luz.

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3 respostas em “O Tempo – uma análise filosófica e teológica

  1. Compartilho contigo da, por ora, tese de que o tempo seja uma abstração intelectual; de que o tempo seja uma “ferramenta teórica” pela qual se organizam os fenômenos dinâmicos. Resta, todavia, um problema para nós que advogamos esse ponto de vista: como compreender a informação divulgada de que segundo Einstein o tempo passa mais devagar para os que, no universo, vivem uma realidade cujos movimentos ocorrem à velocidade da luz?

    • Acredito que a abstração seja a mesma: se fosse possível a uma pessoa trasladar-se com velocidade proporcionalmente próxima à velocidade da luz, as informações (por meio dos fótons) chegariam mais lentamente para essa pessoa, portanto ela perceberia a realidade mais lentamente.

    • Infelizmente não tive tempo de revisar e aprimorar o texto, que ainda está com uma redação inicial com algumas falhas. E eu gostaria também de poder melhorar a coesão entre os parágrafos. Ainda farei isso aos poucos.

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